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Mar 03

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  A Evolução do “ticketing” no Brasil

Acredito que estamos vivendo um momento histórico na área de ingressos no Brasil. Vemos que a bilheteria está cada vez mais se consolidando como uma fonte de receita importante para os clubes. Vimos que em Porto Alegre é possível fazer jogos com torcida mista com rivais se respeitando (pelo menos dentro do estádio). No Campeonato Paulista, Corinthians e Palmeiras tiveram públicos perto dos 30 mil espectadores e rendas de R$1,45 e R$2,57 milhões, respectivamente, coisa que anteriormente só era vista em finais e clássicos importantes. No Paraná, alguns torcedores já estão cadastrados utilizando biometria, uma forma inteligente de desencorajar os brigões a comparecerem nos estádios.

Obviamente, temos muito a melhorar, principalmente no quesito segurança, já que a violência está cada vez mais presente do lado de fora dos estádios, que já é menos ruim do que tê-la do lado de dentro. Mesmo assim, acho que a tendência é melhorar com a mudança no perfil do público. A violência é o principal fator que afasta o público do estádio e contra isso é preciso ter uma ação integrada entre diversas entidades, com participação ativa dos clubes, que são os que mais perdem com a redução de público nas arenas.

Cada assento vazio no estádio é despesa, o clube já paga por todo o custo do jogo: segurança, orientador, energia, água, sistema de controle de acesso, manutenção dos diversos equipamentos e etc … Além do clube não ter a renda proveniente dos gastos do torcedor, como estacionamento, comida, bebida e venda de produtos, nos EUA eles vendem até uma “loteria” que no final do jogo premia um dos torcedores. Precisamos incrementar a venda de ingressos e produtos para os torcedores. Concordo que o sócio-torcedor é algo que está evoluindo, mas acredito que ele não é a solução para tudo. Temos que explorar (no bom sentido) todas as possibilidades de utilizar o público torcedor como consumidor, de outra forma, eles vão continuar comprando os produtos de segunda linha dos camelôs do lado de fora do estádio. Precisamos de venda mais ativa de ingressos e produtos, hoje em dia, o torcedor que precisa correr atrás do clube, mas na minha opinião é o clube que precisa ser pró-ativo e facilitar a vida do torcedor para que ele gaste mais com o clube.

Arena Corinthians

Arena Corinthians

Acredito que a Copa do Mundo foi um fator fundamental para a melhoria do padrão de qualidade das arenas e da operação no estádio. Não digo isso só porque trabalhei no evento, digo porque quem foi a uma das novas arenas depois da Copa do Mundo percebeu a diferença no trato com o torcedor. O que quero dizer é que não podemos parar por aí, temos muito a evoluir, tenho viajado pelo mundo e vejo diversas iniciativas interessantes que podem ser aplicadas no Brasil.

Estamos prontos para iniciar um ciclo positivo no esporte brasileiro, maiores públicos > maiores rendas > mais verba para os clubes investirem > melhor espetáculo > maiores públicos… Não podemos ignorar que a construção dos estádios gerou algumas dívidas, mas acredito que se os clubes conseguirem mostrar que podem ser superavitários, no longo prazo as dívidas podem ser quitadas.

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